Home » Destaque, Notícias » Sindimed faz vistoria na Rede e encontra caos no Pronto-socorro infantil do Mário Gatti

mario gatti

Casemiro dos Reis Junior, presidente do Sindimed e o vereador Pedro Tourinho, direitor de imprensa do Sindmed em vistoria no Mario Gatti: falta planejamento

Macas com pacientes nos corredores, falta de leitos na unidade de terapia intensiva (UTI) e de internação, defasagem de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e funcionários administrativos e equipamentos sucateados.
Foi essa a situação encontrada pelo Sindicato dos Médicos de Campinas (Sindimed) no Pronto Socorro Infantil do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti nesta terça-feira (23), após denúncia feita à entidade.
A direção da ala afirma que a desestruturação do serviço piora a cada ano e a situação fica mais evidente no Outono e início do Inverno, quando o hospital superlota com pacientes com infecções respiratórias.
Ainda de acordo com trabalhadores do hospital, a falta de profissionais na pediatria é um problema crônico de toda a rede pública de saúde campineira. O sindicato enviou na tarde desta terça (23) uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que irá apurar o caso.
O Correio acompanhou a vistoria do sindicato e constatou a situação caótica no pronto-socorro. Pelo menos quatro salas que deveriam servir para atendimento clínico, têm crianças internadas. Onze pacientes estavam em macas nos corredores e cinco menores, que deveriam estar na UTI, recebiam tratamento em leitos comuns.
A ala de observação e retaguarda, onde as crianças não poderiam ficar mais de dois dias, também serve como área de internação. “Hoje temos apenas dez vagas de UTI no Mário Gatti. E a escassez de leitos de terapia intensiva na cidade é geral”, explicou a coordenadora do Pronto-Socorro Infantil, Andrea Paiva. Desde dezembro, o hospital perdeu 220 leitos, 14 de pediatria, por causa de uma reforma.
Segundo ela, o pronto socorro precisaria de pelo menos mais seis pediatras, quatro enfermeiros e seis auxiliares de enfermagem para dar agilidade ao atendimento. Hoje, o departamento tem 36 médicos.
Falta ainda pessoal para trabalhar em áreas administrativas, que acabam sendo supridas por profissionais da saúde. “Médicos que são de pronto atendimento estão fazendo papel de intensivista. É muita responsabilidade, porque não é essa a especialidade deles. Se ocorre alguma coisa, mesmo nessas condições, a culpa é sempre do médico”, explicou Andrea.
Os profissionais também se queixam das condições precárias de alguns equipamentos, que não podem ir para a manutenção porque ficam em uso constante.
O presidente do Sindimed, Casemiro dos Reis, disse que a situação do hospital é “calamitosa”.
Para ele, a sazonalidade das doenças respiratórias não deve ser usada como “muleta” para a lotação do hospital e para o atendimento precário. “A verdade é que a pediatria de todo o município há anos é deixada para segundo plano. Precisamos não somente de médicos, mas de uma restruturação da rede, de um plano de médio e longo prazo.”
A entidade encaminhou denúncia formal ao Cremesp e solicitou fiscalização do Pronto-Socorro Infantil pelo órgão. Se o conselho constatar os problemas, o caso pode chegar ao Ministério Público Estadual.
Na recepção do atendimento pediátrico, pelo menos 60 mães e pais com filhos esperavam até três horas por atendimento, ao meio-dia desta terça (23). “Minha filha tem bronquiolite, precisa fazer inalação, ainda mais quando o tempo está seco como agora. Estou aqui desde às 9h e pelo jeito só vou sair às 15h. Até agora não fui chamada nem para triagem”, disse Ana Paula dos Santos, mãe de Kethely, de 4 anos.

Outro lado
O diretor-técnico do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, Mário Sérgio Rolim Zaidan, afirmou que a situação “caótica” do Pronto-Socorro Infantil foi passada em janeiro para a nova Administração e, desde então, várias medidas foram tomadas para sanar os problemas.
De acordo com o diretor, o hospital fez uma compra de R$ 1 milhão em equipamentos, que também serão destinados à pediatria. Entre os itens estão respiradores, aspiradores, inaladores e aparelhos de monitoramento para as crianças.
“Estamos aguardando a chegada desses equipamentos. A Prefeitura está tentando alocar vagas até em hospital particulares, mas faltam leitos de pediatria até na rede privada.”
Em relação à falta de médicos, o diretor afirmou que o setor público precisa adequar os salários à realidade do mercado para que o Sistema Único de Saúde (SUS) volte a ser atrativo aos profissionais.
“O pediatra hoje é um dos profissionais mais valorizados, porque está em falta. Mas mesmo com todos os obstáculos, nosso pronto-socorro ainda é referência, graças ao esforço dos nossos funcionários”, completou.
Para o secretário de Saúde, Cármino Antônio de Souza, as doenças respiratórias, a epidemia de dengue e a falta de leitos são as causas da superlotação do Pronto-Socorro Infantil do Mário Gatti.
“Estamos finalizando um contrato com a Santa Casa de Misericórdia para a concessão de 30 leitos adultos. Mas queremos estender esse convênio para 80 vagas, entre elas, leitos para UTI pediátrica”, afirmou.
Ainda de acordo com Souza, a secretaria irá marcar uma reunião com a direção do Hospital de Clínicas da Unicamp e com o Hospital Maternidade Celso Pierro para que residentes sejam aproveitados na pediatria do Mário Gatti.
“Já os salários, a Prefeitura não tem condições de aumentar agora, às vésperas do dissídio. Estamos promovendo prêmios por produtividade no atendimento de urgência e emergência, que é o que podemos fazer no momento. Esperamos suprir a carência de falta de médicos com o concurso.”

Fonte: RAC  – Por Cecília Polycarpo Cabalho

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