Home » Destaque, Notícias » Gravação feita para divulgar festa de alunos ridiculariza pacientes do Caism na Unicamp

caism_2Unicamp investiga produção de vídeo dentro do Hospital da Mulher em Campinas, com sátira a pacientes

A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) instaurou nesta quinta-feira (23) uma comissão de processo disciplinar para apurar as circunstâncias da produção de um vídeo publicado na internet com sátiras aos pacientes do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism). As imagens são protagonizadas supostamente por estudantes da Medicina, que encenam exames ginecológicos dentro do hospital para divulgar uma festa da faculdade.

O vídeo, publicado esta semana na internet e compartilhado por alunos nas redes sociais, começa com os dizeres “baseado em fatos reais”. Na sequência, há duas esquetes em que três jovens simulam consultas e exames ginecológicos nos quais os médicos ridicularizam as pacientes. Entre as duas encenações, um texto anuncia o nome da festa, “Adeus Caism”, seguida do preço com a frase “Para de ser pobres!”.

O cenário das filmagens é um hospital e os alunos utilizam na gravação, mesa, computador, maca, utensílios médicos, como tesoura e algodão, e até uma roupa de pacientes. Além disso, os jovens que interpretam os médicos usam uniforme e até crachá semelhante ao usado pelos funcionários do Caism e do Hospital de Clínicas da Unicamp. Entre os comentários de estudantes na internet, levanta-se a suspeita de que o vídeo foi feito dentro das dependências do próprio hospital da mulher.

A Unicamp

Em nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa, a universidade afirma que a comissão vai apurar as circunstâncias em que as imagens foram gravadas e também quem são as pessoas que participam do vídeo. Segundo a Unicamp, caso seja confirmada infração à lei ou desrespeito às normas internas, a faculdade irá tomar medidas disciplinares previstas no regimento geral.

DCE: ‘Lamentável’

A coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Carolina Filho classificou como “absurdo e lamentável” o vídeo. A estudantes criticou o fato de a Unicamp servir de local para propagação de preconceito. “A universidade deveria ser o primeiro local a combater este tipo de prática e, no entanto, está servindo de espaço para propagar o racismo, o machismo e o preconceito. Casos como esse não podem passar em branco jamais. É um absurdo”, afirmou. Segundo Carolina, o DCE vai cobrar da instituição o rigor na apuração.
O Centro Acadêmico Adolfo Lutz, que representa os estudantes da Faculdade de Ciências Médicas, se manifestou por meio de nota na qual afirma que, caso fique constatada a participação de alunos na produção do vídeo, ela “certamente não reflete a postura da maioria”. O texto defende que “o respeito ao paciente e à ética médica, tanto no ambiente hospitalar quanto fora dele, é o valor máximo que deve ser preconizado por médicos e estudantes de medicina”.

Fonte: G1 Campinas

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