Home » Destaque, Notícias » Falta de condições de trabalho afasta médicos e faz Secretaria abrir novo concurso

 

Vistpria feita na emergência do HM Dr. Mário Gatti constatou o caos na rede púbica de Campinas

Vistoria feita pelo Sindimed  na emergência do HM Dr. Mário Gatti em 2013: desrespeito com os profissionais e com os usuários da rede

A capa do Correio Popular do dia 28/01/15 traz uma reportagem que mostra o desinteresse dos médicos em trabalhar na saúde pública de Campinas. Para o presidente do Sindimed, Casemiro Reis, isso reflete as péssimas condições de trabalho na rede. Vistorias realizadas ao longo de 2014 pelo Sindicato mostrou que faltam equipe, equipamentos, medicamentos, os prédios estão em condições ruins e por falta de profissionais, a demanda de atendimento torna-se desumana tanto para o paciente quanto para os profissionais, o que acaba ainda por acarretar atos de violência. Leia abaixo a matéria:

A Secretaria de Saúde poderá ter que abrir um terceiro concurso para zerar o déficit de médicos na rede pública de Campinas. O segundo concurso, cuja prova ocorre neste domingo, 2 de fevereiro, não alcançou relação candidato por vaga suficiente na especialidade de ginecologia e obstetrícia. A relação ficou em 0,96, e deve-se levar em consideração possíveis faltas de médicos à prova ou desempenho baixo. Segundo a Secretaria de Saúde, foram 398 inscritos, para 300 vagas oferecidas. As especialidades de clínico geral, pediatria e médico do Programa Saúde da Família alcançaram relação candidato por vaga superior a 1. É o terceiro concurso para médicos em Campinas desde 2013.

O secretário de Saúde, Carmino de Souza, considerou o número “bom”, uma vez que os cargos foram parcialmente preenchidos no primeiro concurso, no fim do ano passado. Esse primeiro concurso teve baixa procura e baixo desempenho dos médicos na prova, e por isso foi necessária uma segunda seleção. Setenta e cinco por cento dos médicos que prestaram não atingiram nota suficiente e ficaram de fora da convocação. No entanto, a relação candidato por vaga ultrapassou dois.

Atualmente, os Pronto Atendimentos (PAs) do Campo Grande e Anchieta são as unidades que mais apresentam déficit, principalmente nos fins de semana, segundo a Prefeitura. O PA do Campo Grande, por exemplo, oferece pediatria 12 horas por dia, enquanto o ideal seria 24 horas. Na rede como um todo, no entanto, ele falou que a situação está controlada. “Vamos concentrar urgência e emergência para voltar a atender 24h por dia nessa unidade. A população sabe do horário menor, mas diário, e isso ameniza”, disse Souza.

Ele afirmou que, do total de 398 inscritos, cerca de metade é de clínicos gerais. A relação candidato por vaga é a maior: de 1,6. A relação para o Programa Saúde da Família ficou em 1,1 e a de pediatria, 1,3. O salário base para o cargo de médico — de todas as especialidades — varia de R$ 2.205,11 a R$ 6.615,42, dependendo da carga horária, que pode ser no máximo 36 horas semanais.

O profissional também terá direito ao prêmio produtividade (pode chegar a R$ 4,1 mil) e adicional de atendimento emergencial. Os servidores que trabalharem mais de 20 horas semanais têm direito ainda ao auxílio alimentação de R$ 680,00. O concurso público faz parte de uma ação emergencial para conter a crise na saúde.

Problema

Com a falta crônica de médicos na rede pública, o Pronto Atendimento do Campo Grande tem superlotação de pacientes. A maior falta na unidade é de pediatra. Na segunda-feira, a informação é que apenas um médico pediatra atendia no local. Ontem, no entanto, havia três.

A dona de casa Daniela da Silva, de 25 anos, afirmou que a falta de pediatras é recorrente e que costuma evitar o PA Campo Grande. “Vou direto para o Hospital Ouro Verde, ou o Celso Pierro. Evita transtorno”, disse. Ela estava ontem no Pronto Atendimento com o filho pequeno Nicolas, de 4 meses. Não demorou para ser atendida. “Isso é raro”, disse.

Com a filha de 9 anos, Maria Gabriely, a balconista Cleonice Cândido também procurou atendimento médico infantil ontem na unidade. “A recepção mesmo indica procurar outro hospital quando viemos. Hoje foi rápido, mas dá para contar nos dedos o dia que tem médico para criança”, disse.

Deixe uma resposta

© 2015 SINDIMED