Home » Artigos, Destaque » 2013 Um Ano Perdido Para Campinas

DSC_6070Definitivamente 2013 não foi um bom ano para Campinas. Depois das eleições de 2012, criou-se uma enorme expectativa em relação ao novo governo municipal que tomou posse dia 01/01/2013. Porém, o que vimos neste primeiro ano do Governo Jonas Donizete não tem sido nada animador, pelo contrário, tem se revelado um governo conservador e elitista, sem coragem de enfrentar os grandes desafios que uma cidade do porte de Campinas precisa. Todos nós que amamos, ou porque nascemos, ou porque escolhemos Campinas como nosso lar, estamos estarrecidos e bastante preocupados com os rumos que nossa cidade tem tomado. A sensação é de que a cidade está completamente desgovernada.

Assitimos  ao vergonhoso aumento da taxa de mortalidade infantil. A taxa de mortalidade infantil em Campinas caiu 31,92% em 11 anos, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES). No ano 2000, o índice era de 13,25 óbitos para cada mil nascidos vivos e chegou a 9,02 em 2011, conforme o balanço divulgado em setembro de 2012 pela SES. Em 2012, tivemos um aumento da taxa de mortalidade infantil em Campinas, que passou a 9,92 óbitos para cada mil nascidos vivos, portanto, um aumento de 10%. Tudo leva a crer que em 2013 esses números foram ainda piores. A Rede Básica de Saúde agoniza com sua infraestrutura predial sucateada; grande falta de Médicos e de outros profissionais de Saúde; falta de diversos medicamentos e de outros insumos básicos para atendimento à população usuária do SUS Campinas; ambulâncias do SAMU em condições precárias, que são conduzidas por motoristas despreparados e com registro recorde de acidentes e de demora no atendimento das chamadas. É muito grave a falta de leitos hospitalares em Campinas, principalmente de leitos de retaguarda para Urgência e Emergência e de UTI adulto, infantil e neonatal. A mortalidade infantil é o principal indicador da saúde pública segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Temos um déficit de mais de 3.000 vagas em creches para crianças de zero a 3 anos. Em 2013 tivemos um aumento de mais de 11% no número de vagas abertas por ordem judicial, sem que tenha havido qualquer melhora na infraestrutura, levando a superlotação das creches existentes, com sobrecarga de trabalho para os funcionários, muitos deles tercerizados. Esse quadro aliado à crescente crise  na saúde certamente refletiu negativamente no índice da mortalidade infantil do nosso município em 2013. A única maneira de revertermos essa tendência será colocando nossas crianças como prioridade social absoluta, nos termos do artigo 227 da Constituição Federal.

Temos um dos piores e mais caros meios de transporte coletivo do mundo. Com uma frota sucateada e superlotada, presenciamos em 2013 a um aumento significativo de acidentes envolvendo veículos do Sistema de Transporte Coletivo, muitos com vítimas fatais. Nosso trânsito está cada dia mais caótico, nossas ruas foram transformadas em depósito de automóveis. É urgente e inadiável um melhor planejamento do sistema de transporte coletivo que propicie eficiência e conforto a seus usuários, bem como mudanças estruturais que ordenem, sinalizem e disciplinem o trânsito, principalmente na periferia onde se concentram as maiores deficiências e são mais numerosas as vítimas.

A educação do nosso município está falida, muitas crianças chegam ao final do ensino fundamental sem dominar as equações básicas de matemática e mal conseguem ler ou escrever textos simples. É frequente a falta de professores, com consequente abandono dos alunos por longos períodos dentro das próprias escolas, sem nenhuma ação pedagógica. A prática de educação física e artística chega a ser quase inexistente no sistema educacional municipal. Há uma absoluta falta de compromisso com uma educação de qualidade desde a primeira infância. Nem sequer uma merenda escolar saudável, balanceada e saborosa é oferecida  às nossas crianças.

Todas as semanas vemos, assustados, os meios de comunicação mostrando o recorde de aumento de todos os índices de criminalidade em nossa cidade. Recorde de assaltos, recorde de roubos de veículos e de cargas, recorde de assassinatos, sequestros e latrocínios. É também assustador a crescente depredação do nosso patrimônio artístico e cultural. A criminalização de miseráveis e dependentes de drogas que mendigam pela cidade, além de não trazer resultados práticos no enfrentamento dos altos índices de violência na região central de Campinas, também tem sido inócua em inibir o tráfico de drogas ou reverter a marginalização social. Pelo contrário, só tem acentuado o preconceito, a discriminação e a degradação social. Ações de repressão com ênfase na figura das maiores vítimas – moradores de rua e usuários de drogas – e o não enfrentamento das causas, nos parece uma reprodução da elitista, famigerada e segregacionista política de “tolerância zero” do governo Alckmin. A marginalização e a exclusão dos miseráveis ou dos usuários de drogas como o crack deve ser tratada com políticas de acolhimento, resgate com inclusão social e não simplesmente com uma ação de repressão policial.

Outro triste episódio de 2013 na política campineira tem sido escrito pela Câmara Municipal (CM). A incompreensível resistência da CM em cumprir suas obrigações constitucionais e atender as enormes demandas da cidade tem levado-a a um dos maiores descréditos de sua história. Com um comportamento absolutamente subserviente em relação ao executivo, a nossa CM há muito tem perdido  o respeito dos munícipes. Onde está o papel fiscalizador da CM? Para exemplificar, temos a questão da já citada caríssima tarifa dos ônibus e da péssima qualidade dos serviços prestados pelas empresas concessionárias. Com a inestimável ajuda de sua base aliada, o governo municipal, além de protelar a instalação da Comissão Especial de Investigação (CEI) dos transportes, ainda aprovou o escadaloso aumento do seu “subsídio” sem nenhuma justificativa técnica. Outro epsódio lamentável foi a também recusa da CM em investigar a indecorosa contratação, pela Prefeitura Municipal, da empresa de comunicação, que foi responsável pela campanha do então candidato Jonas Donizete. A quem o prefeito e a base governista querem proteger? A CM tem a obrigação de instalar as CEIs e colocar-se a serviço da cidade e parar de postar-se de joelhos aos interesses  politicos e econômicos do executivo municipal e das empresas concessionárias. A CM é para fiscalizar o executivo e servir ao povo e não para servir-se dele.

Caro Prefeito Jonas Donizete, já é passada a hora de o Sr. e seu secretariado saírem de seus confortáveis gabinetes, ouvirem as vozes das ruas, arregaçarem as mangas e começarem a trabalhar para enfrentar esses enormes desafios com inteligência, vontade política e ousadia.  Não dá mais para Sr. continuar governando Campinas entre eventos e banquetes nos salões da Hípica e/ou do Hotel The Royal Palm Plaza. Já se foi um quarto do seu  mandato e a cidade que parecia não poder estar pior,  infelizmente, está. O Sr. não pode mais continuar a se furtar de sua responsabilidade. Em 12 meses de gestão, o Sr. não foi capaz de apresentar uma única ação minimamente estruturante para enfrentar o caos urbano que se instalou em Campinas. Até parece que o Sr. não vive na cidade que governa. Esse quadro caótico que se instaurou em nosso município é evidente para qualquer morador de Campinas e deveria ser mais ainda para o alcaide.

Casemiro Reis
Presidente do Sindimed
(Editorial do Jornal SindiNotícias de abril)

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